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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Me dê um bom dia, meu bem
Vamos fingir que somos só nós
Nessa terra de ninguém
Em que querer nem sempre é querer
E ser
Cada vez menos
É ser.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Odeio quando o esmalte começa a descascar. Faço de tudo para esconder as mãos. Parece que todos vão mirar minhas mãos e olhar para minhas unhas sofridas.
E penso que é mais ou menos assim o dia seguinte.
A sensação de querer negar, esconder seja lá o que for que fizemos. Podem ser pensamentos, devaneios ou atitudes.
Não sou ninguém para julgar valores.E também não quero fazer isso, quando já é difícil por mim mesma aceitar certos julgamentos que faço na calada da noite, quando estou agarrando meu travesseiro e pedindo a Deus que faça com que tudo dê certo.
E, por vezes, eu paro de escrever porque terminar é sempre chato. E hoje é dia seguinte. E amanhã, também.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Sempre que vou ao banheiro, mesmo que seja só para dar uma cochiladinha, me certifico de que a porta esteja fechada. TRANCADA. E abomino quando alguém tenta abrir a porta. E A PORTA ESTÁ FECHADA.Por gentileza, bata na porcaria da porta. Não me assuste.Não me deixe com batedeira.
E, diga-se de passagem, isso é o mínimo da educação.

Telefone: quando toca o telefone após às 22 horas, sim, eu me desespero. Sinto a adrenalina correndo em minhas veias e o coração bater acelerado. E sempre penso que alguém morreu, ou sofreu um acidente. Quando toca o celular com o maldito toque de ficção científica que insisto em manter, já acho que uma catástrofe está a caminho.

Carro: não atravesse meu caminho quando estou saindo de uma vaga. Pior ainda se o carro tiver direção hidráulica. E eu estiver dando ré. Que inferno este mundo!

Água sanitária: nada me apavora MAIS do que o manuseio deste produto. Ele pode manchar sua roupa, deixar seu pé horroroso e ainda te fazer escorregar quando você está lavando o banheiro. E você pode bater a cabeça no vaso ou ficar banguelo. Morrer, até.

Pratos: em restaurantes, não há como não pensar em quantas mãos aquele prato já passou, e em quem o lavou. E os talheres me deixam desesperada. Eu suo e sofro, respiro profundamente e procuro não pensar em quem lavou o alface.

Cabeleireiros e tesouras: escrever cabeleireiro é algo que exige muita atenção de mim. Palavra encardida de duê. Corto meu cabelo com uma excelente profissional, porém, quando ela vem com seu estilo Edward Mãos de Tesoura, sinto medo de perder uma orelha.

Pessoas: elas existem.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Faz um tempo, escrevi aqui no blog sobre o sonho que tinha de ter uma penteadeira.
Bem, a penteadeira surgiu. E surgiram também outros questionamentos como, por exemplo, onde colocar a bendita penteadeira.
Tenho admiração por móveis antigos e a penteadeira + banco em questão foram de minha bisavó Maria, uma senhora que além de admirável, lavava roupa como ninguém e foi casada com uma pessoa que admiro demais, o vô Zé. E deles veio minha avó Helena que, além de fazer o melhor ovo frito do mundo, me abraça e sempre diz que me ama. E isso me faz sorrir.
Bom, além de ter valor sentimental, há também o fato de ser um móvel forte e que foi restaurado por um marceneiro de primeira. 
Mas no meu quarto não tem espaço.
Mal cabe minha escrivaninha, que comprei na liquidação da Tok&$tok em cinco vezes sem juros no cartão. Mal cabe eu mesma, sabe? Não são nem dois por dois e meus armários estão sempre bagunçados, o que, obviamente, faz com que o chão fique repleto de objetos e eu ouça meu irmão falar na minha cara que meu namorado conhecerá minha verdadeira essência ao adentrar meu quarto num dia de fúria baguncística. E minha mãe propõe desafios existenciais quando fala a respeito de como minha roupa pendurada no varal está perdendo a cor por causa de dias de exposição ao sol.
E mal cabe eu mesma em mim, que posso ser meio confusa, debochada, mas que vou dar um jeito. Porque pra tudo tem jeito.

(ou não...)

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Querida rotina,

Venho por meio deste declarar meus sentimentos mais sinceros e profundos em relação a você.
Eu te odeio. Insanamente, honestamente. De todo coração.
Detesto ter horário para acordar, ter de fazer o desjejum conforme as normas sociais vigentes no tocante à alimentação pela manhã, ter de seguir um código de vestimenta e sair de casa no mesmo horário todo santo dia.
Abomino ter um horário fixo a cumprir, seja no trabalho, seja na escola. Abomino todas as obrigações advindas do fato de que você existe. Assim como cartórios. 
Você me faz ter horários. Para almoçar, jantar, dormir, tomar banho.
Você me faz prisioneira do sistema. Do dinheiro, do sono e do fato de eu existir.
Você me faz viciada em você.
E, espere. 
Não posso te odiar totalmente.
Pois sem você eu não teria conseguido o pouco que consegui na vida.
Eu não teria o prazer doentio de ouvir o despertador tocar no domingo pela manhã e poder desligá-lo e me deitar para dormir novamente. Ou, se o sono realmente me abandonar, eu posso me levantar e tomar café fresco e morgar e bocejar pensando que no dia seguinte volta tudo ao normal.
Então, rotina, talvez precisemos discutir mais a nossa relação. 
Quem sabe assim ou te odeio menos.
Ou gosto mais de você. Não sei.


quarta-feira, 24 de julho de 2013

A seguir está o texto do colunista Michel Laub, do dia 19/07/2013, que li no site da Folha.
Gostei muito.

1. "A ficção melhora a vida das pessoas." -- Duvido que ler Céline ajude um funcionário de banco a trabalhar com mais eficiência, arrumar uma namorada ou parar de beber.
2. "Há muita inveja no meio literário." -- Sim (dizem), mas com os amigos é o contrário. Torcemos para que seus livros sejam bons, porque dilemas éticos dão certa preguiça: em algum momento precisaremos decidir se os elogiamos hipocritamente, talvez em público, ou deixamos a amizade avinagrar.
3. "Quem lê best-sellers acaba passando para obras mais complexas." -- Só se fizer um esforço que no começo parece inútil, o que a maioria não está disposta a fazer. Por que enfrentar textos que soam árduos e/ou incompreensíveis? Só porque alguém --quase sempre uma pessoa mais velha, solitária, pobre e sem carisma-- diz que haverá uma recompensa ao final?
4. "O maior pecado de um escritor é ser chato." -- Contrariando o item anterior, há um prazer específico, que pode ser intenso e viciante, em emergir de um monólogo introspectivo de 900 páginas --às vezes em prosa opaca, sem enredo, humor ou concessões-- como um sobrevivente.
5. "Tudo já foi dito." -- Pegue alguns dos temas que estão por aí --polícia moral de Twitter, por exemplo-- e conte quantas boas histórias foram publicadas a respeito.
6. "Todos os modos de dizer já foram tentados." -- Assim como cada pessoa tem um timbre de voz, cada autor é capaz de ser bom ou idiota à sua maneira.
7. "A linguagem é capaz de tudo." -- Apenas dentro dos próprios limites. Um cheiro só pode ser descrito com metáforas e associações, que não são e nem mesmo definem o cheiro em si.
8. "O texto ficcional é autônomo." -- Dá para acreditar nisso, como no Papai Noel da isenção, mas a referência de toda escrita é a memória do seu autor, que não necessariamente é a memória de coisas vividas. Só uso a palavra "casa" porque sei o que é uma casa --já morei numa, já entrei em outras tantas, já vi fotos e filmes e ouvi relatos a respeito--, e isso também é autobiografia.
9. "Não há muitos livros sobre futebol no Brasil." -- Frase repetida a cada lançamento de obra sobre o tema.
10. "Há poucos estudos acadêmicos sobre literatura contemporânea." -- Frase repetida a cada notícia de estudo do gênero.
11. "Há cada vez menos espaço para resenhas." -- Ok se desconsiderarmos a invenção da internet.
12. "Escrever contos exige tanto sacrifício quanto escrever romance." -- Sei que é um gênero difícil e tal, mas estou usando critérios objetivos: os anos de dedicação e concentração, os casamentos terminados, os remédios para a lombar.
13. "O escritor é um trabalhador como qualquer outro." -- Diga isso para um cortador de cana.
14. (A falácia oposta, de que se trata de um habitante das esferas elevadas da compreensão humana, é ainda pior: no mínimo, porque gera metáforas do tipo artista no fio da navalha/no olho do furacão/à beira do abismo.)
15. Frase de Henry James, se não me engano, que poderia ser a resposta à preferência atual --muito apreciada em cursos de escrita criativa-- por concisão, contenção e exatidão: "Adjetivos e advérbios são o sal e o açúcar da literatura".
16. (Dá para dizer algo parecido contra outras regras da moda: as que vetam personagens escritores, narradores em primeira pessoa, metalinguagem, capítulos curtos, romances políticos e enredo policial, livros despretensiosos ou que se levam a sério, autores que mendigam popularidade fazendo listinhas.)
17. (Queria aproveitar para falar umas verdades sobre a crítica, os cadernos de cultura, as políticas governamentais de incentivo ao livro, as editoras, os tradutores, os revisores e preparadores, sem contar os leitores e alguns colegas e também meus inimigos e seus familiares, mas o espaço está terminando e melhor deixar para outra).
18. Raduan Nassar numa entrevista à "Veja", 1997, resumindo a importância do que foi dito nos parágrafos acima: "Eu gosto mesmo é de dormir (...). É um momento de magia quando você, só cansaço, cansaço da pesada, deita o corpo e a cabeça numa cama e num travesseiro. Ensaio, prosa, poesia, modernidade, tudo isso vai para o brejo quando você escorrega gostosamente da vigília para o sono".

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Abri esse bloquinho em branco pra escrever algumas vezes nas últimas semanas.
Obviamente, não saiu nada.
Então me peguei pensando na aleatoriedade das coisas.
Hoje você come ovo frito.
Amanhã, picanha.
Ouvi alguém dizer que chuchu é muito calórico, e duvidei, é claro.
Nada pode ser mais calórico que cerveja no momento... e choca também.
Enfim.
Nada é constante, permamente. E a angústia que assola nossa existência deveria ter justificativas mais plausíveis, pois, a rotina diária em si já uma forma de caos necessário à nossa tão querida existência. E isso gera ainda mais caos, quando são contas, compromissos, promessas e conversas que se desenrolaram conforme o ponteiro do relógio anda, avança ou qualquer coisa do tipo. E mais copos são servidos e mais a realidade choca.
Choca mesmo.
Cerveja choca é um pé no saco.
E além do mais, eu amo sábado e faço prosa com rima, às vezes. Porque nem sempre consigo rimar e rir com a ocasião, e nem sempre faço do sábado o fim da servidão. E quem diria que o frio pode aquecer alguns corações?
Fico com frio quando perco a razão e fico ainda mais fria quando preciso dizer não.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Disseram-me que é mais adequado, indicado acho, escrever em terceira pessoa quando redigir um texto. Redação. Whatever. 
Eu me lembro de que, quando era adolescente, tinha um tênis meio véio que roubei da minha mãe, mas não era um tênis qualquer, era um Rebook, o qual conferia certo status na escola em que eu estudava, e eu precisava de um tênis porque resolvi, na época, que ia praticar esportes. Numa das aulas, durante o alongamento, descobri que a borracha da sola estava descolando. Meu status foi pro ralo e me tornei a loser do tênis com menos meia sola. E um pouco acima do peso. E algumas espinhas. E que queria dar palpite em tudo. Eu queria mesmo era criar caso, semear discórdia e distribuir adjetivos nada honrosos e educados aos meus adoráveis colegas de classe. Hoje percebo que eu era meio passiva-agressiva e que isso me levou a algum lugar, sim. Um lugar em que se descobre que ainda assim existe uma luz no fim do túnel dos loser feelings. E ser cri-cri me levou a ser coroada rainha da chatice. Eu agredia porque me sentia menos. Eu atacava quando me sentia menos. E sentia vergonha de mim por causa do aparelho que usava nos dentes e do meu sobrepeso. E de como me sentia inadequada em relação ao todo. Ao resto.
Hoje sou a mulher que acorda quase sempre no horário, está um pou-quinho-co acima do peso, e que se cobra, muito, no que diz respeito ao trabalho e a seu próprio armário que, assim como quando tinha 14 anos, continua cavernoso, pois a referida é bagunceira. E se há um consenso a respeito disso tudo? Talvez seja meu próprio pseudojulgamento. Sim, claro. Os outros ficaram para trás. Quem continua respirando por mim sou eu. E não importa que merda de tênis eu tenha hoje, eu fico na minha, quietinha, respirando.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Eu estava pensando no que significa casa.
Por força de boas circunstâncias, tive de pensar e repensar isso.
Se era o lar, doce lar, ou o lugar para onde você sabe que pode voltar.
Mas será que, por lugar, entende-se pessoas? Ou será o ambiente? Ou apenas o CEP?
Confesso que ainda estou inquieta por conta disso. Por conta de onde dispor meu necessàire e meus livros, minhas roupas e sapatos. Meus lenços e objetos de maior estima. Também o filtro de café e alguns quadrinhos vagabundos. Bijuterias. Não tenho joias. Mas tenho livros favoritos e dias a serem lembrados. Também cheguei à conclusão que é preciso se arrepender às vezes, e respirar profundamente antes de fazer algumas escolhas, assim como antes de se pronunciar algumas palavras. Creio que ambas as atitudes podem não ser reversíveis.
Mas, apesar desses devaneios, descobri muito de mim mesma. E também de quem quero ser.
Acho que casa somos nós mesmos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013






























Ser a moça do comercial do Miss Dior cherié. E morar em Paris, é claro.

segunda-feira, 24 de junho de 2013


Quando eu nasci, ter uma linha de telefone era privilégio para poucos. Comenta-se que custava quase o preço de um carro. Comenta-SE.
Vídeocassete era o must, televisão também. Carro. Meu pai tinha um Fiat 147, teve Fusca.
Eu sempre gostei de telefone. Tive vários de brinquedo. E também ganhei uma tábua de passar de brinquedo no meu aniversário de 4 anos.
E entre outros brinquedos e dissabores, depois de uma adolescência tardia (sempre falo disso...) a gente aprende que crescer é muito mais que pagar contas e poder tomar cerveja no bar sem medo de ser pego no flagra ou parar na delegacia. E, no caso das meninas, é bem mais que poder passar maquiagem e não se borrar, e namoricos, e responsabilidades.
O fato de crescer e ficar com medo de que seu CPF entre na lista de devedores é mera casualidade, a meu ver, é claro. Enxergar além das minúcias burocráticas impostas por uma maioridade faz com que os sentimentos e dúvidas a respeito de quem somos e quem seremos venham à tona e, por vezes, nos deixe descabeladas e com o batom todo borrado (melhor que borrar outra coisa, né). E lidar com exigências externas e internas também pode causar um certo desequilíbrio e manchas na pele. Ou te levar para o bar desesperada para tomar todas até o Sol raiar e esquecer, ao menos por alguns instantes, de que os deveres continuarão ali, intactos, e que problemas são parte da existência. Que a existência talvez seja a contínua solução e gerenciamento de problemas que derivam dela mesma, e de nossas tão aclamadas escolhas, certas ou erradas.
O que quero dizer aqui é que, não bastassem nossos questionamentos existenciais, o que noto é que há também o fato de que o mundo não nos permite e não dos dá tempo para nossos queridos dilemas existenciais. Tudo se baseia na resolução, gerenciamento e no fato de que é "pra hoje", "pra agora" e JÁ.
E onde ficou aquela vontade de usar sapato de salto, passar batom vermelho e arrumar o cabelo com certa elegância e charme para correr atrás do que se quer, e ser quem se quer? Presumo que o CPF não provê esse tipo de coisa. Nem a tábua de passar roupa.

sexta-feira, 7 de junho de 2013
















É tão lindo ouvir em músicas, ler em livros e ver na tv e no cinema relatos e histórias de pessoas que recomeçaram, que superaram a si mesmas e as dificuldades impostas pela vida ou por coisas que denominamos semelhantes que quase sempre me emociono. Às vezes, para ser mais honesta. Relatos das dificuldades, das tempestades e furacões que assolaram a vida de alguém e que, simplesmente pelo fato de respirar, esse alguém viu a razão para recomeçar.
Gosto disso.
É bonito.
Mexe com a gente.
No entanto, de onde tirar a força e a vontade de se levantar pela manhã e encarar o que precisa ser feito?
Se a cada momento e a cada pequena decisão podemos mudar o rumo de nossa vida. Se escolher entre refrigerante e suco pode fazer diferença (e faz)? Se ao acordar já escolhemos e damos o tom ao nosso dia.
Tudo bem que a gente às vezes (quase sempre) não pode escolher com quem conviver e quem aturar. Porém, pelo menos no tempo livre, nos é dada essa oportunidade de outro que tem de ser totalmente aproveitada. Aeeeeeeeeeeee!
Mas voltemos ao começo.
Todo dia é um começo. Ou o início de querer começar.
Meu pai sempre diz que o verbo tentar não deve constar no meu vocabulário. "Ou você faz, ou você faz, Tamires. Sem essa de tentar". Ele é um pouco enérgico (às vezes), mas tem razão. E acho que serve como um ótimo exemplo de recomeço. Mas não agora.
E não quero tentar e ficar conjugando verbos no modo subjuntivo. É melhor o presente ou o pretérito perfeito. Eu fiz, eu fui, eu sou. Por maior que seja a gripe ou a dor de barriga, todo mundo é igual e sempre há um motivo — ou talvez, o motivo seja procurar um propósito. 
E por propósito eu entendo, hoje, algo que faça a diferença para mim mesma. Pode ser um recorde pessoal (tenho o meu de horas dormidas), pode ser tentar se relacionar melhor com alguém (e conta família aqui) ou então tentar algo novo profissionalmente, coisa que demanda tempo e energia.
Penso que sejamos tempo + energia = propósito mais alguma coisa que fica difícil de definir agora. Também não tenho muita certeza de que o que escrevo aqui esteja tão coerente. Só que eu fiz, eu escrevi esse trem aqui e estou buscando meus próprios recomeços.
Talvez eu aprenda a desenhar. Não, nem pensar.
Mas sei que posso ver com outros olhos o caminho, pegar algumas memórias e sorrir diante das horas que avançam e me fazem perceber que o fim sou eu mesma.
E é isso.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Essa vida é uma coisa.
Não tá fácil pra ninguém.
A vida não é fácil.
A vida é dura.

Bem, digo, para nós, pessoas normais, digo, meros mortais, pode ser que não seja muito fácil mesmo. Afinal de contas, temos uma agenda superconturbada e repleta de obrigações para com nós mesmos e os outros. De modo algum estou dizendo que a vida de pessoas abastadas não seja difícil; cada um sabe o fardo que carrega, não é mesmo?
Enfim.
Vamos às minhas considerações:

1) A vida não é fácil para quem tem que pagar aluguel. O cara tem que tirar leite de pedra, senão vai morar debaixo do viaduto.

2) A vida não é fácil para quem tem cartão de crédito. O idiota se afunda até os ossos e precisa tirar leite de pedra para não cair no mínimo.

3) A vida também não é fácil para estudantes do fundamental, maternal, pré etc. Os criaturas desde cedo vão se acostumando à ideia de que por toda sua vida vão ter de acordar cedo e ver cara feia. Logo cedo.

4) É difícil usar outra marca melhor que Avon e depois usar Avon. Por isso, as mulheres trabalham mais às vezes. Pra poderem usar condicionador L´oreal professional. Pra comprar rímel Dior em 10x sem juros na Sephora. Seda e Avon: coisa de pobre.

5) A vida é dura para quem tem que cumprir expediente das 8 às 18, ir e voltar de busão e ainda chegar e ver a pia repleta de louça. Principalmente quando a forma usada pra assar frango no domingo ainda está suja na quarta-feira. É difícil ser profissional, compromissado e responsável o dia todo e encarar o lodo no rejunte do banheiro depois de aturar encheção de saco o dia todo. Todavida, dizem por aí que é terapêutico o tal do trabalho manual.(Cadê essa pessoa pra eu bater um papinho com ela?)

Se algum leitor quiser complementar, por favor, sinta-se à vontade para comentar.
Vidas difíceis, uni-vos!!!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Se pudesse ser outra pessoa, eu seria Anna Karina. Em Pierrot le fou (tradução tosca no Brasil: O demônio das onze horas).









domingo, 2 de junho de 2013

Depois de escrever meu nome em minhas últimas aquisições editoriais, olhei pela janela o baita toró que estava caindo e me lembrei de um dos filmes de que mais gosto: Acossado.








sexta-feira, 31 de maio de 2013

Liguei para minha vó outro dia. Almocei no meu pai ontem. Segunda foi um dia caótico. Não tenho cachorro de estimação, mas visito pet shop. Gosto de escrever, porém tenho medo de me expor. Gosto de sol, mas tenho cor de laboratório. Gasto mais do que ganho. Durmo menos do que quero. Estudo muito menos do que deveria. E fico pensando nesses "mais" e "menos" de nossa vida, que no vaivém das horas acabam por nos sobrecarregar e deturpar a visão de tudo e todos. É mais cer de parecer e menos se de sentir e ser, de comer com calma, de sorrir de bobeira e de comer chocolate ouvindo música no quarto. O 3g é muito ruim onde passo a maior parte de meu tempo. Minha mãe pega muito no meu pé. Meu irmão é muito quieto. Agora sim. O "muito" nosso de cada dia nos dai hoje, e dai-nos a paciência de testemunhar o muito nosso, muito menos, muito mais, de forma sonolenta e preguiçosa porque vai amanhecer novamente e, se eu pudesse, simplesmente e literalmente sairia andando, como quem não quer nada com nada. Seja pronome, advérbio ou substantivo, o nada é a palavra da vez, afinal de contas, o que somos mesmo?

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Estava saindo hoje e pensei em por que não tenho uma penteadeira. Uma penteadeira de verdade, igual à da minha bisa ou da minha avó. Isso me faz sentir menos gente, pois se maquiar olhando no espelho retrovisor ou então no banheiro não é coisa de gente. Falta espaço no meu quarto, na casa mesmo. Coisas do IPTU e da vida moderna.
Imagine poder sentar-se para se maquiar, olhar para seus perfumes e objetos mais queridos, ou então ficar sentada e olhando para o espelho pensando na morte da bezerra. Que maior legaaaaaaaal!
Bom, esse foi o assunto do dia. Por que não eu, hein, bisa?
























segunda-feira, 27 de maio de 2013

É tanta coisa que acontece.
E tanta vida dando sopa por aí.
Às vezes me parece que as pessoas se apagaram.
E a empatia foi pro saco.
O bom dia, esquecido.
O acaso virou piada e a alegria, história que se ouve no asilo.

sábado, 25 de maio de 2013

ah, se eu conseguisse
comer uma torta sozinha
andar pela rua
a esmo
e ainda assim
dizer
que tá tudo bem
que vai ficar
que já foi e não vi

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Não consigo entender certas coisas. E, ao mesmo tempo, sinto preguiça às vezes. Assim como sinto preguiça das palavras que gostaria de pronunciar em algumas ocasiões, ou de quantas horas desperdicei pensando na morte da bezerra quando eu poderia estar, realmente, fazendo algo útil (não, não quero causar uma revolução, eu só quero arrumar meu quarto e mantê-lo sempre em ordem).
Ainda assim, observo as outras pessoas e também não consigo entendê-las. Há quem transpareça gostar de tacar fogo na fogueira e ver o circo pegar fogo. Há quem chega e com um breve sorriso ilumina seu dia, até então totalmente nublado (apesar de o sol estar rachando seu coco). Também noto que há pessoas que riem com e por maldade, seja de um tombo ou de um e-mail enviado para a empresa toda com vários erros de grafia. E ri de bom grado, com vontade, como se fosse natural. Como se fosse natural querer que o outro se estatele no asfalto quente ao levar um tombo, ou puxar o tapete do colega só pelo prazer de ver um desafeto se ferrar de verde-amarelo. 
Tenho visto isso. E me chateia. Bastante. E quando ouço alguém comentar que "mata um leão por dia", minha vontade é responder: "você é que se mata todo dia. Parabéns."
O que é que a gente não faz para sobreviver, né?

segunda-feira, 20 de maio de 2013









sexta-feira, 17 de maio de 2013

Dei de cara com essas capas LINDAS no Flavorwire e foi impossível não sentir vergonha-alheia.
Fiz minha seleção das "melhores", na minha opinião:





Eu imaginava que a Carrie era estranha, mas não tanto.




Esta capa é de uma edição japonesa de Lolita. Estou chocada.

































Não! Não se trata de A caverna do dragão!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Saudade do sono
da manhã perdida
de minha voz já esquecida
que às vezes dá as caras
e me assusta
assim
e me dá sono.
Há coisas que têm definição: fome, sede, sono, preguiça.

Há também a palavra obsessivo     Datação: sXX:

n adjetivo e substantivo masculino
Rubrica: psicopatologia.
2 que ou aquele que sofre de obsessão ou neurose obsessiva

Tenho um pensamento obsessivo, que sempre aparece quando eu menos espero. E há coisas que não consigo definir. Aquele velho exemplo da saudade. Você sente, porém a palavra não consegue exprimir exatamente o que quer dizer. A culpa é outro exemplo. Como posso mensurar a culpa de outra pessoa se não consigo conter e medir a minha? 
Águas paradas são as mais profundas.
Que dizer das rasas que estão por aí deixando todo mundo doido com sua falta de discernimento e, talvez até mesmo, entendimento de si mesmo? Não consigo compreender como se é, como se é ser, como se faz. E muito menos posso julgar. Mas posso sentir os efeitos dos comportamentos alheios assim como sinto as consequências de meus comportamentos e pensamentos.
O que eu queria, e queria mesmo, é que todos andassem com um espelho pendurado (eu inclusive) que refletisse seus próprios olhos e atitudes, no momento em que são tomadas, para que, quem sabe assim, a consciência existisse, ou, pelo menos, lampejasse. Será esse meu pensamento obsessivo? Quem dirá pode ser o tempo, ou minha falta de bom senso. 


Quem me falou sobre a Twiggy foi minha mãe, há muitos anos.
Quando vi a foto da modelo pela primeira vez, me encantei por seu semblante sério e até blasé, e confesso que quis copiar. Mas não deu. Quem sabe na próxima encarnation, né.





quarta-feira, 15 de maio de 2013

Cada um tem uma mania.
Outros, compulsão.
Alguns, sei lá, de repente descontam no chocolate.
Andei maníaca e compulsiva e "descontada" e e por e com livros.
Sempre li bastante, ando lendo mais ainda, porém, me sinto a Becky Bloom dos livros.



Não tenho nada contra compulsivos. Pelo contrário, até me identifico. Se, na semana passada, tive meu momento "Carrie Bradshaw tupiniquim na veia", há uns bons meses ando a Becky Bloom dos livros. E aparece de tudo: Linguagem visual, fotografia, marketing cultural, livro com fotos da África selvagem, guia ilustrado do rock, até livro de gastronomia eu comprei (é claro e óbvio que não cozinho). Teve um que virou motivo de piada. Chama-se Doors of the world. Tem fotos artísticas de portas por todo o mundo. De portas. Mas são fotos artísticas, então posso deixar o livro no rack de casa e passar por pessoa culta e entendedora de portas.
No entanto, ninguém visita minha casa. Apenas meu pai, aos domingos ou quartas-feiras, e ele está mais interessado em livros de psicologia, acho.
E também não tive oportunidade de usar os sapatos que comprei num impulso maníaco-compulsivo-frustrado. 
E também fico pensando se, no fim das contas, tudo se resume a alguns minutos de efêmera ilusão, mesmo que seja para aparentar algo, que pode ser cultura ou ser estilo, ou se é esse vazio que todo mundo carrega dentro de si que, não importa o que se faça, estará sempre latente, e não dá para esconder na hora em que se coloca a cabeça no travesseiro, após um dia de compras ou de melancolia.



terça-feira, 14 de maio de 2013

Uma das minhas maiores conquistas na vida são minhas canecas. Tenho até uma da bandeira da Eslováquia - veio da Eslováquia. E meu irmão tem uma marrom cor de burro quando foge que vibra no estilo rancheiro do rio Mogi Guaçu. Como hoje estou confusa, resolvi dar um Google em "mug" e me deparei com estas belezinhas.










Adoraria dar essa caneca da vaquinha de presente a algumas pessoas.





Quando eu tiver um schnauzer, o nome dele vai ser Bóris. Tô fazendo o esquenta já.