Não consigo entender certas coisas. E, ao mesmo tempo, sinto preguiça às vezes. Assim como sinto preguiça das palavras que gostaria de pronunciar em algumas ocasiões, ou de quantas horas desperdicei pensando na morte da bezerra quando eu poderia estar, realmente, fazendo algo útil (não, não quero causar uma revolução, eu só quero arrumar meu quarto e mantê-lo sempre em ordem).
Ainda assim, observo as outras pessoas e também não consigo entendê-las. Há quem transpareça gostar de tacar fogo na fogueira e ver o circo pegar fogo. Há quem chega e com um breve sorriso ilumina seu dia, até então totalmente nublado (apesar de o sol estar rachando seu coco). Também noto que há pessoas que riem com e por maldade, seja de um tombo ou de um e-mail enviado para a empresa toda com vários erros de grafia. E ri de bom grado, com vontade, como se fosse natural. Como se fosse natural querer que o outro se estatele no asfalto quente ao levar um tombo, ou puxar o tapete do colega só pelo prazer de ver um desafeto se ferrar de verde-amarelo.
Tenho visto isso. E me chateia. Bastante. E quando ouço alguém comentar que "mata um leão por dia", minha vontade é responder: "você é que se mata todo dia. Parabéns."
O que é que a gente não faz para sobreviver, né?
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