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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

É difícil criar conteúdo, até porque não sei bem por que ando escrevendo.
Só sei que tenho sentido mais empatia pelas pessoas que não dormem, e também por aquelas que trabalham de madrugada. Por exemplo,  a apresentadora do Hora 1, jornal que começa às cinco da manhã na Rede Globo. E eu gosto muito do jornal, pois, enquanto desempenho minhas atividades maternas, consigo me inteirar a respeito do que está acontecendo. E, claro, não consigo deixar de me perguntar qual produto a apresentadora usa para esconder as olheiras. Me olhei no espelho hoje mais cedo e notei uma nuance roxa. Acho que dormi umas três horas ou algo do tipo.
E ainda sobre conteúdo, sempre me lembro das aulas de produção de texto, em que eu sentia uma preguiça danada de expor minhas ideias. Poxa, mas elas são minhas! Sempre achei difícil seguir determinado tema e pronto, acabou! Escreva! Deve ser por isso que fugi que nem o diabo da cruz do vestibular e de toda e qualquer coisa que exija palavras minhas em um papel. E escondo minhas olheiras.
Mentira.
Com o passar do tempo, notei o quão legal pode ser usar e combinar as palavras de acordo com minha intenção, e que criar conteúdo pode ser surpreendente. Afinal, é isso que nos diferencia uns dos outros, independentemente da área de atuação ou do número de RG. Acho que é por aí que a banda toca. 
Talvez essa coisa de criar sem pretenções dê certo mesmo. Acabei tendo de redigir muita coisa que deu bons frutos e me fez ter mais segurança no meu taco. Mas nunca me sinto segura demais. Seria pretensão demais e monguice demais. Há muito tempo uma chefe me disse pra que eu nunca sentisse segurança demais em qualquer coisa que fizesse.
Assim como nas aulas de produção de texto, na vida também aparecem alguns temas inesperados e desconhecidos. O plano nessas horas é se debruçar diante do material existente a respeito do assunto e consultar alguém que tenha alguma experiência com o tópico. Acho que essa lição de casa foi decisiva em muitas circunstâncias. E quando não houver bibliografia disponível, o que fazer?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Uma vez me disseram que há coisas pelas quais passamos que fazem com que nos tornemos mais fortes e mudemos. 
E também me disseram que eu nunca mais dormiria. 
Os dois são verdade.
Falando em verdade, também é verdade que eu tive de deixar algumas coisas de lado como meu pavor de ver/tirar sangue. A partir do momento em que soube que não menstruaria pelos próximos meses precisei encarar vários tubetinhos de sangue serem preenchidos no laboratório. E deixei de lado meu apetite infantil: adoro nuggets, ovo frito, arroz empapado, filé de frango à milanesa e todo e qualquer alimento que não tenha muitas fibras e minerais e vitaminas. Legumes e verduras se tornaram meus amigos de (quase) todos os dias. 
E tive que começar a enxergar as coisas diferentemente do que costumava. Acho que foi o mais estranho.
Não tem como não olhar para todos que vieram antes de você, e depois também, e não pensar que alguém se cuidou para cuidar de cada um. E todos os cuidados exigidos e desempenhados pelos pais para que até seu maior desafeto vingasse e se tornasse seu desafeto. E as expectativas. E como os outros sorriem de um modo incomum quando sabem. E a solidariedade e a compreensão de quem já passou por tudo isso para com você. E até mesmo quem não sabe como é pode sorrir e dizer que logo as coisas entram nos eixos.
E as suas próprias expectativas.
Eu só espero, do fundo do meu coração, dormir umas seis horas seguidas de novo. E conseguir daqui a um tempo escovar os dentes com a mesma frequência de antes. Tenho certeza de que vai acontecer. E outra coisa que já está acontecendo é eu tomar as decisões de acordo com meu bom senso e instinto. Porque, olha, tem gente que acha que tá frio e tem gente que acha que tá calor, que tá dormindo muito, que tem que acordar, que a estante não está organizada etc etc etc. E fica a lição de que se formos nos deixar levar pelo que os outros falam, não somos nós mesmos. E pode ser que deixamos de fazer o que é certo. Porque sabemos o que é o certo.