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segunda-feira, 24 de junho de 2013

#randômico

Um comentário:
 

Quando eu nasci, ter uma linha de telefone era privilégio para poucos. Comenta-se que custava quase o preço de um carro. Comenta-SE.
Vídeocassete era o must, televisão também. Carro. Meu pai tinha um Fiat 147, teve Fusca.
Eu sempre gostei de telefone. Tive vários de brinquedo. E também ganhei uma tábua de passar de brinquedo no meu aniversário de 4 anos.
E entre outros brinquedos e dissabores, depois de uma adolescência tardia (sempre falo disso...) a gente aprende que crescer é muito mais que pagar contas e poder tomar cerveja no bar sem medo de ser pego no flagra ou parar na delegacia. E, no caso das meninas, é bem mais que poder passar maquiagem e não se borrar, e namoricos, e responsabilidades.
O fato de crescer e ficar com medo de que seu CPF entre na lista de devedores é mera casualidade, a meu ver, é claro. Enxergar além das minúcias burocráticas impostas por uma maioridade faz com que os sentimentos e dúvidas a respeito de quem somos e quem seremos venham à tona e, por vezes, nos deixe descabeladas e com o batom todo borrado (melhor que borrar outra coisa, né). E lidar com exigências externas e internas também pode causar um certo desequilíbrio e manchas na pele. Ou te levar para o bar desesperada para tomar todas até o Sol raiar e esquecer, ao menos por alguns instantes, de que os deveres continuarão ali, intactos, e que problemas são parte da existência. Que a existência talvez seja a contínua solução e gerenciamento de problemas que derivam dela mesma, e de nossas tão aclamadas escolhas, certas ou erradas.
O que quero dizer aqui é que, não bastassem nossos questionamentos existenciais, o que noto é que há também o fato de que o mundo não nos permite e não dos dá tempo para nossos queridos dilemas existenciais. Tudo se baseia na resolução, gerenciamento e no fato de que é "pra hoje", "pra agora" e JÁ.
E onde ficou aquela vontade de usar sapato de salto, passar batom vermelho e arrumar o cabelo com certa elegância e charme para correr atrás do que se quer, e ser quem se quer? Presumo que o CPF não provê esse tipo de coisa. Nem a tábua de passar roupa.

Um comentário:

  1. Qdo eu cresci me tornei uma pessoa mais medroso. Me tira o sono saber que não tenho dinheiro para pagar alguma conta ou comprar algo pra minha filha. O que não temos é tempo para cuidar de nossas questões existências, por isso, estamos cada vez mais atormentados, amedrontados. Esquecemos que a vida não é só trabalhar para pagar as contas, esquecemos o quanto é bom lembrarmos de quem somos, onte estamos e pra que vivemos. O autoconhecimento é importantíssimo. Isto que torna a nossa vida mais leve e menos cheia de dramas. Bjus Vanúcia

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