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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sem título

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Disseram-me que é mais adequado, indicado acho, escrever em terceira pessoa quando redigir um texto. Redação. Whatever. 
Eu me lembro de que, quando era adolescente, tinha um tênis meio véio que roubei da minha mãe, mas não era um tênis qualquer, era um Rebook, o qual conferia certo status na escola em que eu estudava, e eu precisava de um tênis porque resolvi, na época, que ia praticar esportes. Numa das aulas, durante o alongamento, descobri que a borracha da sola estava descolando. Meu status foi pro ralo e me tornei a loser do tênis com menos meia sola. E um pouco acima do peso. E algumas espinhas. E que queria dar palpite em tudo. Eu queria mesmo era criar caso, semear discórdia e distribuir adjetivos nada honrosos e educados aos meus adoráveis colegas de classe. Hoje percebo que eu era meio passiva-agressiva e que isso me levou a algum lugar, sim. Um lugar em que se descobre que ainda assim existe uma luz no fim do túnel dos loser feelings. E ser cri-cri me levou a ser coroada rainha da chatice. Eu agredia porque me sentia menos. Eu atacava quando me sentia menos. E sentia vergonha de mim por causa do aparelho que usava nos dentes e do meu sobrepeso. E de como me sentia inadequada em relação ao todo. Ao resto.
Hoje sou a mulher que acorda quase sempre no horário, está um pou-quinho-co acima do peso, e que se cobra, muito, no que diz respeito ao trabalho e a seu próprio armário que, assim como quando tinha 14 anos, continua cavernoso, pois a referida é bagunceira. E se há um consenso a respeito disso tudo? Talvez seja meu próprio pseudojulgamento. Sim, claro. Os outros ficaram para trás. Quem continua respirando por mim sou eu. E não importa que merda de tênis eu tenha hoje, eu fico na minha, quietinha, respirando.

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