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quinta-feira, 20 de março de 2014

É hoje

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Todo dia é um novo dia, clichês à parte.
E todo dia gosto e tento acreditar que sou uma nova eu. Como se todas as minhas células tivessem sido renovadas durante minhas queridas e amadas e mínimas nove horas de sono. Como se quem eu achava que seria quando tivesse 25 anos fosse daquele jeito que eu imaginava quando criança. Eu gostava de óculos, mas não gosto agora que realmente sou míope. Acho que fico míope pra vida às vezes, como tudo mundo, ao que tudo indica. E gosto de me lembrar de como eu achava que seria agora.
Bem, eu teria cabelos longos, corpo esguio, seria super mega blaster bem-sucedida, teria um carro vermelho (insira fusca aqui), seria independente financeira e pessoal e todos os mentes que possam ser adicionados a esta frase. Teria viajado pelo mundo, rindo, feliz, usando boina e fumando alguns cigarros só para fazer um charme. E seria muito, muito inteligente. E charmosa. Nossa, muito charmosa. Sempre.
Não tenho receio de ter me tornado quem sou hoje. Não mais. Talvez, com essas minhas horas de sono, o caos no fim das contas faça sentido, e meu ódio em ser contrariada pela vida também. E eu mudo muito, sabe? Ainda bem que tenho, digamos, o direito de mudar de opinião, de detestar algumas músicas e de gostar de coisas bregas. Não consigo imaginar minha vida sem a música da Kátia e sem o Odair José. Guilty pleasures são uma filosofia de vida. Um estilo de vida, eu diria.
Não uso Manolos como a Carrie Bradshaw, mas sou alfabetizada. Tenho dentes, conjugo verbos em português com certa fluência, sinto que algumas pessoas realmente se importam comigo (apesar de 25 anos e seis meses complicados...), tenho uma quantidade considerável de livros, algum senso e bom senso, sei cozinhar arroz integral e aprendi que, na vida, é tudo tão transitório quanto a oscilação do meu peso. E que, pra tudo, a não ser doença, a gente dá um jeito com J. 
Se sou resultado de minhas escolhas, o que fazer com as certas? As erradas sempre nos ensinam alguma lição, por mais dolorida que seja. E quanto as certas? Eu as entendo como certas? E como julgar o que realmente é certo?
Essa coisa de se guiar pelo "coração" me parece um tanto estranha de vez em sempre. Só que, pelo jeito, no fundo, a gente sempre sabe o que não fazer. Mesmo que pareça a coisa certa. 
Ou não, né?
O que me resta, por agora e pelo restante dos dias que me aguardam, é ser. E tá legal descobrir outros jeitos de ser.

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