Acho que é parte inerente do ser humano a arte de ser. Tá, ok, eu me superei nessa.
Não era isso o que eu ia dizer.
Era que tenho vergonha de dizer que inerente ao ser humano (leia-se: eu) é a ARTE DE PROCRASTINAR.
Meu livro de cabeceira devia ser este, em vez de
O poder do subconsciente:
Não sei bem quando começou. Sei que foi em tenra idade. As coisas eram simples. Eu existia da forma mais pura e despretensiosa. Não havia ansiedade, stress, conta corrente negativa, cartão de crédito com fatura. Diante de qualquer dificuldade financeira, eu dizia a meus pais: "Dá cheque. Cheque paga".
Meu pai me ignorava quando eu falava isso.
Minha mãe limpava a casa, esfregava o carpete na unha e, então, enquanto eu assistia a Sessão da tarde, deixava o copo de leite com Nescau cair no chão e dizia: "Calma, mamãe. Depois limpamos. Vem cá ver TV comigo".
No jardim da infância, no ensino fundamental, principalmente. As aulas de matemática e suas lições sempre ficavam para depois. Nunca vi utilidade, a não ser no que diz respeito às fatias de pizza que me eram de direito. Não tenho dificuldades com números, só procrastino minha grande vontade de atacar as frações, funções e números reais com todo meu amor e dedicação.
No ensino médio... bem, o ensino médio foi, como posso dizer, uma época estranha. Não era tão péssimo quanto eu achava. E eu já procrastinava. Tudo. Minha existência era procrastinada, meu namoro era procrastinado, mas nunca deixei de escovar os dentes logo após a refeição. Não vou falar sobre a faculdade.
Não deixe para fazer depois o que você pode fazer agora. Acho que tem até um livro com esse nome, depois eu faço uma busca para ter certeza, agora estou escrevendo. Tenho também de fazer umas listas de tarefas e, depois, limpar a casa.
Preciso arrumar meu quarto, mas, antes, quero dar uma olhada na Etna para ver as novidades no departamento de organização. Meu armário também precisa ser organizado, sabe? Só que antes tenho de passar a roupa que está empilhada há três semanas e 5 dias.
Engraçado que eu nunca procrastino dar uma olhada no que a Olivia Palermo e a Alexa Chung estão usando. Também não enrolo pra tomar banho ou ler a Vogue. Muito menos para ver tutoriais de maquiagem no YouTube.Ah, e ler o Morri de sunga branca é sempre vapt-vupt.
No fim das contas, é mais fácil deixar tudo de lado e fingir que tudo vai bem, obrigada. E que você não precisa se preocupar agora com o agora, e dizer o que precisa ser dito. Agir de acordo com o que deve ser feito.
Não sei se este texto tem algum fundamento que possa ser considerado plausível, mas foi difícil conseguir não deixar para escrevê-lo depois.