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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Conforme o tempo passa,
encontro o descaso por mim
por nós
por tudo
e pelo pouco que resta.
Nada que não fui
Tampouco o que fui

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Me dê um bom dia, meu bem
Vamos fingir que somos só nós
Nessa terra de ninguém
Em que querer nem sempre é querer
E ser
Cada vez menos
É ser.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Odeio quando o esmalte começa a descascar. Faço de tudo para esconder as mãos. Parece que todos vão mirar minhas mãos e olhar para minhas unhas sofridas.
E penso que é mais ou menos assim o dia seguinte.
A sensação de querer negar, esconder seja lá o que for que fizemos. Podem ser pensamentos, devaneios ou atitudes.
Não sou ninguém para julgar valores.E também não quero fazer isso, quando já é difícil por mim mesma aceitar certos julgamentos que faço na calada da noite, quando estou agarrando meu travesseiro e pedindo a Deus que faça com que tudo dê certo.
E, por vezes, eu paro de escrever porque terminar é sempre chato. E hoje é dia seguinte. E amanhã, também.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Sempre que vou ao banheiro, mesmo que seja só para dar uma cochiladinha, me certifico de que a porta esteja fechada. TRANCADA. E abomino quando alguém tenta abrir a porta. E A PORTA ESTÁ FECHADA.Por gentileza, bata na porcaria da porta. Não me assuste.Não me deixe com batedeira.
E, diga-se de passagem, isso é o mínimo da educação.

Telefone: quando toca o telefone após às 22 horas, sim, eu me desespero. Sinto a adrenalina correndo em minhas veias e o coração bater acelerado. E sempre penso que alguém morreu, ou sofreu um acidente. Quando toca o celular com o maldito toque de ficção científica que insisto em manter, já acho que uma catástrofe está a caminho.

Carro: não atravesse meu caminho quando estou saindo de uma vaga. Pior ainda se o carro tiver direção hidráulica. E eu estiver dando ré. Que inferno este mundo!

Água sanitária: nada me apavora MAIS do que o manuseio deste produto. Ele pode manchar sua roupa, deixar seu pé horroroso e ainda te fazer escorregar quando você está lavando o banheiro. E você pode bater a cabeça no vaso ou ficar banguelo. Morrer, até.

Pratos: em restaurantes, não há como não pensar em quantas mãos aquele prato já passou, e em quem o lavou. E os talheres me deixam desesperada. Eu suo e sofro, respiro profundamente e procuro não pensar em quem lavou o alface.

Cabeleireiros e tesouras: escrever cabeleireiro é algo que exige muita atenção de mim. Palavra encardida de duê. Corto meu cabelo com uma excelente profissional, porém, quando ela vem com seu estilo Edward Mãos de Tesoura, sinto medo de perder uma orelha.

Pessoas: elas existem.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Faz um tempo, escrevi aqui no blog sobre o sonho que tinha de ter uma penteadeira.
Bem, a penteadeira surgiu. E surgiram também outros questionamentos como, por exemplo, onde colocar a bendita penteadeira.
Tenho admiração por móveis antigos e a penteadeira + banco em questão foram de minha bisavó Maria, uma senhora que além de admirável, lavava roupa como ninguém e foi casada com uma pessoa que admiro demais, o vô Zé. E deles veio minha avó Helena que, além de fazer o melhor ovo frito do mundo, me abraça e sempre diz que me ama. E isso me faz sorrir.
Bom, além de ter valor sentimental, há também o fato de ser um móvel forte e que foi restaurado por um marceneiro de primeira. 
Mas no meu quarto não tem espaço.
Mal cabe minha escrivaninha, que comprei na liquidação da Tok&$tok em cinco vezes sem juros no cartão. Mal cabe eu mesma, sabe? Não são nem dois por dois e meus armários estão sempre bagunçados, o que, obviamente, faz com que o chão fique repleto de objetos e eu ouça meu irmão falar na minha cara que meu namorado conhecerá minha verdadeira essência ao adentrar meu quarto num dia de fúria baguncística. E minha mãe propõe desafios existenciais quando fala a respeito de como minha roupa pendurada no varal está perdendo a cor por causa de dias de exposição ao sol.
E mal cabe eu mesma em mim, que posso ser meio confusa, debochada, mas que vou dar um jeito. Porque pra tudo tem jeito.

(ou não...)

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Querida rotina,

Venho por meio deste declarar meus sentimentos mais sinceros e profundos em relação a você.
Eu te odeio. Insanamente, honestamente. De todo coração.
Detesto ter horário para acordar, ter de fazer o desjejum conforme as normas sociais vigentes no tocante à alimentação pela manhã, ter de seguir um código de vestimenta e sair de casa no mesmo horário todo santo dia.
Abomino ter um horário fixo a cumprir, seja no trabalho, seja na escola. Abomino todas as obrigações advindas do fato de que você existe. Assim como cartórios. 
Você me faz ter horários. Para almoçar, jantar, dormir, tomar banho.
Você me faz prisioneira do sistema. Do dinheiro, do sono e do fato de eu existir.
Você me faz viciada em você.
E, espere. 
Não posso te odiar totalmente.
Pois sem você eu não teria conseguido o pouco que consegui na vida.
Eu não teria o prazer doentio de ouvir o despertador tocar no domingo pela manhã e poder desligá-lo e me deitar para dormir novamente. Ou, se o sono realmente me abandonar, eu posso me levantar e tomar café fresco e morgar e bocejar pensando que no dia seguinte volta tudo ao normal.
Então, rotina, talvez precisemos discutir mais a nossa relação. 
Quem sabe assim ou te odeio menos.
Ou gosto mais de você. Não sei.


quarta-feira, 24 de julho de 2013

A seguir está o texto do colunista Michel Laub, do dia 19/07/2013, que li no site da Folha.
Gostei muito.

1. "A ficção melhora a vida das pessoas." -- Duvido que ler Céline ajude um funcionário de banco a trabalhar com mais eficiência, arrumar uma namorada ou parar de beber.
2. "Há muita inveja no meio literário." -- Sim (dizem), mas com os amigos é o contrário. Torcemos para que seus livros sejam bons, porque dilemas éticos dão certa preguiça: em algum momento precisaremos decidir se os elogiamos hipocritamente, talvez em público, ou deixamos a amizade avinagrar.
3. "Quem lê best-sellers acaba passando para obras mais complexas." -- Só se fizer um esforço que no começo parece inútil, o que a maioria não está disposta a fazer. Por que enfrentar textos que soam árduos e/ou incompreensíveis? Só porque alguém --quase sempre uma pessoa mais velha, solitária, pobre e sem carisma-- diz que haverá uma recompensa ao final?
4. "O maior pecado de um escritor é ser chato." -- Contrariando o item anterior, há um prazer específico, que pode ser intenso e viciante, em emergir de um monólogo introspectivo de 900 páginas --às vezes em prosa opaca, sem enredo, humor ou concessões-- como um sobrevivente.
5. "Tudo já foi dito." -- Pegue alguns dos temas que estão por aí --polícia moral de Twitter, por exemplo-- e conte quantas boas histórias foram publicadas a respeito.
6. "Todos os modos de dizer já foram tentados." -- Assim como cada pessoa tem um timbre de voz, cada autor é capaz de ser bom ou idiota à sua maneira.
7. "A linguagem é capaz de tudo." -- Apenas dentro dos próprios limites. Um cheiro só pode ser descrito com metáforas e associações, que não são e nem mesmo definem o cheiro em si.
8. "O texto ficcional é autônomo." -- Dá para acreditar nisso, como no Papai Noel da isenção, mas a referência de toda escrita é a memória do seu autor, que não necessariamente é a memória de coisas vividas. Só uso a palavra "casa" porque sei o que é uma casa --já morei numa, já entrei em outras tantas, já vi fotos e filmes e ouvi relatos a respeito--, e isso também é autobiografia.
9. "Não há muitos livros sobre futebol no Brasil." -- Frase repetida a cada lançamento de obra sobre o tema.
10. "Há poucos estudos acadêmicos sobre literatura contemporânea." -- Frase repetida a cada notícia de estudo do gênero.
11. "Há cada vez menos espaço para resenhas." -- Ok se desconsiderarmos a invenção da internet.
12. "Escrever contos exige tanto sacrifício quanto escrever romance." -- Sei que é um gênero difícil e tal, mas estou usando critérios objetivos: os anos de dedicação e concentração, os casamentos terminados, os remédios para a lombar.
13. "O escritor é um trabalhador como qualquer outro." -- Diga isso para um cortador de cana.
14. (A falácia oposta, de que se trata de um habitante das esferas elevadas da compreensão humana, é ainda pior: no mínimo, porque gera metáforas do tipo artista no fio da navalha/no olho do furacão/à beira do abismo.)
15. Frase de Henry James, se não me engano, que poderia ser a resposta à preferência atual --muito apreciada em cursos de escrita criativa-- por concisão, contenção e exatidão: "Adjetivos e advérbios são o sal e o açúcar da literatura".
16. (Dá para dizer algo parecido contra outras regras da moda: as que vetam personagens escritores, narradores em primeira pessoa, metalinguagem, capítulos curtos, romances políticos e enredo policial, livros despretensiosos ou que se levam a sério, autores que mendigam popularidade fazendo listinhas.)
17. (Queria aproveitar para falar umas verdades sobre a crítica, os cadernos de cultura, as políticas governamentais de incentivo ao livro, as editoras, os tradutores, os revisores e preparadores, sem contar os leitores e alguns colegas e também meus inimigos e seus familiares, mas o espaço está terminando e melhor deixar para outra).
18. Raduan Nassar numa entrevista à "Veja", 1997, resumindo a importância do que foi dito nos parágrafos acima: "Eu gosto mesmo é de dormir (...). É um momento de magia quando você, só cansaço, cansaço da pesada, deita o corpo e a cabeça numa cama e num travesseiro. Ensaio, prosa, poesia, modernidade, tudo isso vai para o brejo quando você escorrega gostosamente da vigília para o sono".

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Abri esse bloquinho em branco pra escrever algumas vezes nas últimas semanas.
Obviamente, não saiu nada.
Então me peguei pensando na aleatoriedade das coisas.
Hoje você come ovo frito.
Amanhã, picanha.
Ouvi alguém dizer que chuchu é muito calórico, e duvidei, é claro.
Nada pode ser mais calórico que cerveja no momento... e choca também.
Enfim.
Nada é constante, permamente. E a angústia que assola nossa existência deveria ter justificativas mais plausíveis, pois, a rotina diária em si já uma forma de caos necessário à nossa tão querida existência. E isso gera ainda mais caos, quando são contas, compromissos, promessas e conversas que se desenrolaram conforme o ponteiro do relógio anda, avança ou qualquer coisa do tipo. E mais copos são servidos e mais a realidade choca.
Choca mesmo.
Cerveja choca é um pé no saco.
E além do mais, eu amo sábado e faço prosa com rima, às vezes. Porque nem sempre consigo rimar e rir com a ocasião, e nem sempre faço do sábado o fim da servidão. E quem diria que o frio pode aquecer alguns corações?
Fico com frio quando perco a razão e fico ainda mais fria quando preciso dizer não.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Disseram-me que é mais adequado, indicado acho, escrever em terceira pessoa quando redigir um texto. Redação. Whatever. 
Eu me lembro de que, quando era adolescente, tinha um tênis meio véio que roubei da minha mãe, mas não era um tênis qualquer, era um Rebook, o qual conferia certo status na escola em que eu estudava, e eu precisava de um tênis porque resolvi, na época, que ia praticar esportes. Numa das aulas, durante o alongamento, descobri que a borracha da sola estava descolando. Meu status foi pro ralo e me tornei a loser do tênis com menos meia sola. E um pouco acima do peso. E algumas espinhas. E que queria dar palpite em tudo. Eu queria mesmo era criar caso, semear discórdia e distribuir adjetivos nada honrosos e educados aos meus adoráveis colegas de classe. Hoje percebo que eu era meio passiva-agressiva e que isso me levou a algum lugar, sim. Um lugar em que se descobre que ainda assim existe uma luz no fim do túnel dos loser feelings. E ser cri-cri me levou a ser coroada rainha da chatice. Eu agredia porque me sentia menos. Eu atacava quando me sentia menos. E sentia vergonha de mim por causa do aparelho que usava nos dentes e do meu sobrepeso. E de como me sentia inadequada em relação ao todo. Ao resto.
Hoje sou a mulher que acorda quase sempre no horário, está um pou-quinho-co acima do peso, e que se cobra, muito, no que diz respeito ao trabalho e a seu próprio armário que, assim como quando tinha 14 anos, continua cavernoso, pois a referida é bagunceira. E se há um consenso a respeito disso tudo? Talvez seja meu próprio pseudojulgamento. Sim, claro. Os outros ficaram para trás. Quem continua respirando por mim sou eu. E não importa que merda de tênis eu tenha hoje, eu fico na minha, quietinha, respirando.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Eu estava pensando no que significa casa.
Por força de boas circunstâncias, tive de pensar e repensar isso.
Se era o lar, doce lar, ou o lugar para onde você sabe que pode voltar.
Mas será que, por lugar, entende-se pessoas? Ou será o ambiente? Ou apenas o CEP?
Confesso que ainda estou inquieta por conta disso. Por conta de onde dispor meu necessàire e meus livros, minhas roupas e sapatos. Meus lenços e objetos de maior estima. Também o filtro de café e alguns quadrinhos vagabundos. Bijuterias. Não tenho joias. Mas tenho livros favoritos e dias a serem lembrados. Também cheguei à conclusão que é preciso se arrepender às vezes, e respirar profundamente antes de fazer algumas escolhas, assim como antes de se pronunciar algumas palavras. Creio que ambas as atitudes podem não ser reversíveis.
Mas, apesar desses devaneios, descobri muito de mim mesma. E também de quem quero ser.
Acho que casa somos nós mesmos.