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quarta-feira, 24 de julho de 2013

A seguir está o texto do colunista Michel Laub, do dia 19/07/2013, que li no site da Folha.
Gostei muito.

1. "A ficção melhora a vida das pessoas." -- Duvido que ler Céline ajude um funcionário de banco a trabalhar com mais eficiência, arrumar uma namorada ou parar de beber.
2. "Há muita inveja no meio literário." -- Sim (dizem), mas com os amigos é o contrário. Torcemos para que seus livros sejam bons, porque dilemas éticos dão certa preguiça: em algum momento precisaremos decidir se os elogiamos hipocritamente, talvez em público, ou deixamos a amizade avinagrar.
3. "Quem lê best-sellers acaba passando para obras mais complexas." -- Só se fizer um esforço que no começo parece inútil, o que a maioria não está disposta a fazer. Por que enfrentar textos que soam árduos e/ou incompreensíveis? Só porque alguém --quase sempre uma pessoa mais velha, solitária, pobre e sem carisma-- diz que haverá uma recompensa ao final?
4. "O maior pecado de um escritor é ser chato." -- Contrariando o item anterior, há um prazer específico, que pode ser intenso e viciante, em emergir de um monólogo introspectivo de 900 páginas --às vezes em prosa opaca, sem enredo, humor ou concessões-- como um sobrevivente.
5. "Tudo já foi dito." -- Pegue alguns dos temas que estão por aí --polícia moral de Twitter, por exemplo-- e conte quantas boas histórias foram publicadas a respeito.
6. "Todos os modos de dizer já foram tentados." -- Assim como cada pessoa tem um timbre de voz, cada autor é capaz de ser bom ou idiota à sua maneira.
7. "A linguagem é capaz de tudo." -- Apenas dentro dos próprios limites. Um cheiro só pode ser descrito com metáforas e associações, que não são e nem mesmo definem o cheiro em si.
8. "O texto ficcional é autônomo." -- Dá para acreditar nisso, como no Papai Noel da isenção, mas a referência de toda escrita é a memória do seu autor, que não necessariamente é a memória de coisas vividas. Só uso a palavra "casa" porque sei o que é uma casa --já morei numa, já entrei em outras tantas, já vi fotos e filmes e ouvi relatos a respeito--, e isso também é autobiografia.
9. "Não há muitos livros sobre futebol no Brasil." -- Frase repetida a cada lançamento de obra sobre o tema.
10. "Há poucos estudos acadêmicos sobre literatura contemporânea." -- Frase repetida a cada notícia de estudo do gênero.
11. "Há cada vez menos espaço para resenhas." -- Ok se desconsiderarmos a invenção da internet.
12. "Escrever contos exige tanto sacrifício quanto escrever romance." -- Sei que é um gênero difícil e tal, mas estou usando critérios objetivos: os anos de dedicação e concentração, os casamentos terminados, os remédios para a lombar.
13. "O escritor é um trabalhador como qualquer outro." -- Diga isso para um cortador de cana.
14. (A falácia oposta, de que se trata de um habitante das esferas elevadas da compreensão humana, é ainda pior: no mínimo, porque gera metáforas do tipo artista no fio da navalha/no olho do furacão/à beira do abismo.)
15. Frase de Henry James, se não me engano, que poderia ser a resposta à preferência atual --muito apreciada em cursos de escrita criativa-- por concisão, contenção e exatidão: "Adjetivos e advérbios são o sal e o açúcar da literatura".
16. (Dá para dizer algo parecido contra outras regras da moda: as que vetam personagens escritores, narradores em primeira pessoa, metalinguagem, capítulos curtos, romances políticos e enredo policial, livros despretensiosos ou que se levam a sério, autores que mendigam popularidade fazendo listinhas.)
17. (Queria aproveitar para falar umas verdades sobre a crítica, os cadernos de cultura, as políticas governamentais de incentivo ao livro, as editoras, os tradutores, os revisores e preparadores, sem contar os leitores e alguns colegas e também meus inimigos e seus familiares, mas o espaço está terminando e melhor deixar para outra).
18. Raduan Nassar numa entrevista à "Veja", 1997, resumindo a importância do que foi dito nos parágrafos acima: "Eu gosto mesmo é de dormir (...). É um momento de magia quando você, só cansaço, cansaço da pesada, deita o corpo e a cabeça numa cama e num travesseiro. Ensaio, prosa, poesia, modernidade, tudo isso vai para o brejo quando você escorrega gostosamente da vigília para o sono".

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Abri esse bloquinho em branco pra escrever algumas vezes nas últimas semanas.
Obviamente, não saiu nada.
Então me peguei pensando na aleatoriedade das coisas.
Hoje você come ovo frito.
Amanhã, picanha.
Ouvi alguém dizer que chuchu é muito calórico, e duvidei, é claro.
Nada pode ser mais calórico que cerveja no momento... e choca também.
Enfim.
Nada é constante, permamente. E a angústia que assola nossa existência deveria ter justificativas mais plausíveis, pois, a rotina diária em si já uma forma de caos necessário à nossa tão querida existência. E isso gera ainda mais caos, quando são contas, compromissos, promessas e conversas que se desenrolaram conforme o ponteiro do relógio anda, avança ou qualquer coisa do tipo. E mais copos são servidos e mais a realidade choca.
Choca mesmo.
Cerveja choca é um pé no saco.
E além do mais, eu amo sábado e faço prosa com rima, às vezes. Porque nem sempre consigo rimar e rir com a ocasião, e nem sempre faço do sábado o fim da servidão. E quem diria que o frio pode aquecer alguns corações?
Fico com frio quando perco a razão e fico ainda mais fria quando preciso dizer não.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Disseram-me que é mais adequado, indicado acho, escrever em terceira pessoa quando redigir um texto. Redação. Whatever. 
Eu me lembro de que, quando era adolescente, tinha um tênis meio véio que roubei da minha mãe, mas não era um tênis qualquer, era um Rebook, o qual conferia certo status na escola em que eu estudava, e eu precisava de um tênis porque resolvi, na época, que ia praticar esportes. Numa das aulas, durante o alongamento, descobri que a borracha da sola estava descolando. Meu status foi pro ralo e me tornei a loser do tênis com menos meia sola. E um pouco acima do peso. E algumas espinhas. E que queria dar palpite em tudo. Eu queria mesmo era criar caso, semear discórdia e distribuir adjetivos nada honrosos e educados aos meus adoráveis colegas de classe. Hoje percebo que eu era meio passiva-agressiva e que isso me levou a algum lugar, sim. Um lugar em que se descobre que ainda assim existe uma luz no fim do túnel dos loser feelings. E ser cri-cri me levou a ser coroada rainha da chatice. Eu agredia porque me sentia menos. Eu atacava quando me sentia menos. E sentia vergonha de mim por causa do aparelho que usava nos dentes e do meu sobrepeso. E de como me sentia inadequada em relação ao todo. Ao resto.
Hoje sou a mulher que acorda quase sempre no horário, está um pou-quinho-co acima do peso, e que se cobra, muito, no que diz respeito ao trabalho e a seu próprio armário que, assim como quando tinha 14 anos, continua cavernoso, pois a referida é bagunceira. E se há um consenso a respeito disso tudo? Talvez seja meu próprio pseudojulgamento. Sim, claro. Os outros ficaram para trás. Quem continua respirando por mim sou eu. E não importa que merda de tênis eu tenha hoje, eu fico na minha, quietinha, respirando.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Eu estava pensando no que significa casa.
Por força de boas circunstâncias, tive de pensar e repensar isso.
Se era o lar, doce lar, ou o lugar para onde você sabe que pode voltar.
Mas será que, por lugar, entende-se pessoas? Ou será o ambiente? Ou apenas o CEP?
Confesso que ainda estou inquieta por conta disso. Por conta de onde dispor meu necessàire e meus livros, minhas roupas e sapatos. Meus lenços e objetos de maior estima. Também o filtro de café e alguns quadrinhos vagabundos. Bijuterias. Não tenho joias. Mas tenho livros favoritos e dias a serem lembrados. Também cheguei à conclusão que é preciso se arrepender às vezes, e respirar profundamente antes de fazer algumas escolhas, assim como antes de se pronunciar algumas palavras. Creio que ambas as atitudes podem não ser reversíveis.
Mas, apesar desses devaneios, descobri muito de mim mesma. E também de quem quero ser.
Acho que casa somos nós mesmos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013






























Ser a moça do comercial do Miss Dior cherié. E morar em Paris, é claro.

segunda-feira, 24 de junho de 2013


Quando eu nasci, ter uma linha de telefone era privilégio para poucos. Comenta-se que custava quase o preço de um carro. Comenta-SE.
Vídeocassete era o must, televisão também. Carro. Meu pai tinha um Fiat 147, teve Fusca.
Eu sempre gostei de telefone. Tive vários de brinquedo. E também ganhei uma tábua de passar de brinquedo no meu aniversário de 4 anos.
E entre outros brinquedos e dissabores, depois de uma adolescência tardia (sempre falo disso...) a gente aprende que crescer é muito mais que pagar contas e poder tomar cerveja no bar sem medo de ser pego no flagra ou parar na delegacia. E, no caso das meninas, é bem mais que poder passar maquiagem e não se borrar, e namoricos, e responsabilidades.
O fato de crescer e ficar com medo de que seu CPF entre na lista de devedores é mera casualidade, a meu ver, é claro. Enxergar além das minúcias burocráticas impostas por uma maioridade faz com que os sentimentos e dúvidas a respeito de quem somos e quem seremos venham à tona e, por vezes, nos deixe descabeladas e com o batom todo borrado (melhor que borrar outra coisa, né). E lidar com exigências externas e internas também pode causar um certo desequilíbrio e manchas na pele. Ou te levar para o bar desesperada para tomar todas até o Sol raiar e esquecer, ao menos por alguns instantes, de que os deveres continuarão ali, intactos, e que problemas são parte da existência. Que a existência talvez seja a contínua solução e gerenciamento de problemas que derivam dela mesma, e de nossas tão aclamadas escolhas, certas ou erradas.
O que quero dizer aqui é que, não bastassem nossos questionamentos existenciais, o que noto é que há também o fato de que o mundo não nos permite e não dos dá tempo para nossos queridos dilemas existenciais. Tudo se baseia na resolução, gerenciamento e no fato de que é "pra hoje", "pra agora" e JÁ.
E onde ficou aquela vontade de usar sapato de salto, passar batom vermelho e arrumar o cabelo com certa elegância e charme para correr atrás do que se quer, e ser quem se quer? Presumo que o CPF não provê esse tipo de coisa. Nem a tábua de passar roupa.

sexta-feira, 7 de junho de 2013
















É tão lindo ouvir em músicas, ler em livros e ver na tv e no cinema relatos e histórias de pessoas que recomeçaram, que superaram a si mesmas e as dificuldades impostas pela vida ou por coisas que denominamos semelhantes que quase sempre me emociono. Às vezes, para ser mais honesta. Relatos das dificuldades, das tempestades e furacões que assolaram a vida de alguém e que, simplesmente pelo fato de respirar, esse alguém viu a razão para recomeçar.
Gosto disso.
É bonito.
Mexe com a gente.
No entanto, de onde tirar a força e a vontade de se levantar pela manhã e encarar o que precisa ser feito?
Se a cada momento e a cada pequena decisão podemos mudar o rumo de nossa vida. Se escolher entre refrigerante e suco pode fazer diferença (e faz)? Se ao acordar já escolhemos e damos o tom ao nosso dia.
Tudo bem que a gente às vezes (quase sempre) não pode escolher com quem conviver e quem aturar. Porém, pelo menos no tempo livre, nos é dada essa oportunidade de outro que tem de ser totalmente aproveitada. Aeeeeeeeeeeee!
Mas voltemos ao começo.
Todo dia é um começo. Ou o início de querer começar.
Meu pai sempre diz que o verbo tentar não deve constar no meu vocabulário. "Ou você faz, ou você faz, Tamires. Sem essa de tentar". Ele é um pouco enérgico (às vezes), mas tem razão. E acho que serve como um ótimo exemplo de recomeço. Mas não agora.
E não quero tentar e ficar conjugando verbos no modo subjuntivo. É melhor o presente ou o pretérito perfeito. Eu fiz, eu fui, eu sou. Por maior que seja a gripe ou a dor de barriga, todo mundo é igual e sempre há um motivo — ou talvez, o motivo seja procurar um propósito. 
E por propósito eu entendo, hoje, algo que faça a diferença para mim mesma. Pode ser um recorde pessoal (tenho o meu de horas dormidas), pode ser tentar se relacionar melhor com alguém (e conta família aqui) ou então tentar algo novo profissionalmente, coisa que demanda tempo e energia.
Penso que sejamos tempo + energia = propósito mais alguma coisa que fica difícil de definir agora. Também não tenho muita certeza de que o que escrevo aqui esteja tão coerente. Só que eu fiz, eu escrevi esse trem aqui e estou buscando meus próprios recomeços.
Talvez eu aprenda a desenhar. Não, nem pensar.
Mas sei que posso ver com outros olhos o caminho, pegar algumas memórias e sorrir diante das horas que avançam e me fazem perceber que o fim sou eu mesma.
E é isso.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Essa vida é uma coisa.
Não tá fácil pra ninguém.
A vida não é fácil.
A vida é dura.

Bem, digo, para nós, pessoas normais, digo, meros mortais, pode ser que não seja muito fácil mesmo. Afinal de contas, temos uma agenda superconturbada e repleta de obrigações para com nós mesmos e os outros. De modo algum estou dizendo que a vida de pessoas abastadas não seja difícil; cada um sabe o fardo que carrega, não é mesmo?
Enfim.
Vamos às minhas considerações:

1) A vida não é fácil para quem tem que pagar aluguel. O cara tem que tirar leite de pedra, senão vai morar debaixo do viaduto.

2) A vida não é fácil para quem tem cartão de crédito. O idiota se afunda até os ossos e precisa tirar leite de pedra para não cair no mínimo.

3) A vida também não é fácil para estudantes do fundamental, maternal, pré etc. Os criaturas desde cedo vão se acostumando à ideia de que por toda sua vida vão ter de acordar cedo e ver cara feia. Logo cedo.

4) É difícil usar outra marca melhor que Avon e depois usar Avon. Por isso, as mulheres trabalham mais às vezes. Pra poderem usar condicionador L´oreal professional. Pra comprar rímel Dior em 10x sem juros na Sephora. Seda e Avon: coisa de pobre.

5) A vida é dura para quem tem que cumprir expediente das 8 às 18, ir e voltar de busão e ainda chegar e ver a pia repleta de louça. Principalmente quando a forma usada pra assar frango no domingo ainda está suja na quarta-feira. É difícil ser profissional, compromissado e responsável o dia todo e encarar o lodo no rejunte do banheiro depois de aturar encheção de saco o dia todo. Todavida, dizem por aí que é terapêutico o tal do trabalho manual.(Cadê essa pessoa pra eu bater um papinho com ela?)

Se algum leitor quiser complementar, por favor, sinta-se à vontade para comentar.
Vidas difíceis, uni-vos!!!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Se pudesse ser outra pessoa, eu seria Anna Karina. Em Pierrot le fou (tradução tosca no Brasil: O demônio das onze horas).









domingo, 2 de junho de 2013

Depois de escrever meu nome em minhas últimas aquisições editoriais, olhei pela janela o baita toró que estava caindo e me lembrei de um dos filmes de que mais gosto: Acossado.